Por Cláudia – 05/09/2021. Atualizado 26/01/2023
Desde pequena sofria com maus-tratos aos animais, mas me impuseram ser normal e essencial comer carne. Nem sabia como eram os matadouros.
Nasci vegetariana e voltei a ser vegetariana aos 22 anos e 11 meses.
Eu não tinha acesso à internet, mas tinha lojas que alugava computador. Vi vídeos de abate em 2004, tristeza e não queria ver de novo aquelas cenas, pensei que algumas pessoas matavam bois de forma cruel, mas a carne que eu comia era de bichos que não sofriam, pois, receberam eutanásia (ideia que pessoas me incutiram), era contra assassinato dos bichos e não assumi culpa e não pensei em parar de comer carne, lembrei algumas vezes do abate cruel nos 3 anos seguintes, mas eu não me responsabilizei, eu pensava algumas vezes que era errado pessoas comerem carne, mas não completava a ideia.
Quando pensava no frango que eu comprava tinha ideia fixa de que aqueles bichos eram criados sem maus-tratos e mortos sem nenhuma dor. Eu era contra dor, assassinato, abandono dos cachorros, queria muito ter espaço para abrigar cachorros, era contra dar tiros de arma com balas em bichos na florestas, adorava os cachorros que eu via na rua e em imóveis e não era carinhosa com humanos, desprezava humanos, pois, sabia desde os 9 anos mais ou menos, que as pessoas são maldosas.
Quando eu era nova, era impingida a ficar na casa dos outros, ir a eventos sociais, e não gostava, pois, não gostava de pessoas, em uma vez que fiquei na casa de parentes soltei 1 ou 2 pássaros, 1 ou 2 vezes, me senti maravilhosa, depois compraram mais pássaros, voltei a essa moradia diversas vezes e fiquei com medo de soltar e descobrirem que fui eu.
Me incutiram a ideia de que devemos menosprezar bois, porcos, galos, peixes, pois, foram feitos para comer, eu sabia que eram animais, mas os classifiquei no grupo de comida, me incutiram a não tratar bem cachorros e outras espécies, nunca tinha visto alguém tratar bem bichos, maltratavam animais não humano na minha frente, eu não gostava, mas não ficava nervosa, tentava esquecer, me afastar do local, não voltar ao local e não entrar em contato com pessoas. Uma vez vários homens estavam do lado de fora de uma casa na fazenda e eu dentro da casa, comecei a ouvir gritos de porco, olhei para fora, vi batendo, cortando o porco, fiquei triste, um pouco nervosa, impotente, percebi que era errado, traumatizada, tentei tirar a imagem da mente, pensei que ele não sentiu dor, era como um brinquedo, fui ver televisão, sai de perto, sai da casa, esqueci, voltei, vi pedaços de bichos, não acreditei no que vi, pensei que era imaginação, um pesadelo, como autodefesa preferi pensar que foi irreal. Mais tarde tinha pedaços de porco na panela, analisei se tinha relação com aquele “pesadelo”, lembrei que vi um porco vivo diversas antes disso, gostava dele, queria brincar com ele e tirá-lo daquele local sujo, pensei que não era ele na panela, se me lembro bem coloquei no prato e comi, pois, as vezes eu comia com a ideia de que carne não era animal e sim alimento. Depois não vi o porco no local onde ele morava, tive duas ideias, primeiro fiz a ligação de que era o animal que vi matando, tive atordoamento mental, depois fixei a ideia de que o porco estava em um local melhor e feliz. Agora chorei muito, pois, a vida toda tentei evitar pensar nessa cena mais cruel que já presenciei, agora tive que escrever e está sendo doloroso. Em outras vezes que fui nessa fazenda vi porcos em outras 2 casas, 2 em cada casa presos em uma pequena e suja gaiola e outra vez que fui na fazenda sumiram pensei que estavam em bom local, vi dezenas de bois e vacas, em vários anos seguidos, nunca pensei que eles iriam ser assassinados, a mesma coisa com galinhas e galos, eu gostava deles, eram bem legais, e não fiz a ligação de que o que eu comia eram aqueles animais, no entanto quando eu estava na minha cidade, eu fixava a ideia de que era animais que eu comia, isso tudo aconteceu antes dos 14 anos, pois parei de ir em fazendas, com 16 anos parei de ir a eventos sociais. Galos – minha genitora e outras pessoas mataram diversas vezes galos na minha frente, talvez 5 vezes, em uma pequena cidade, eu vi galos tendo convulsões, com garganta cortada, sangue, ficava atordoada e como autodefesa fixei na mente que era irreal ou que eram brinquedos ou que não sentiam dor ou que eu era impotente e é melhor não tentar salvar, pois, serei agredida. Com galos e peixes eu os vi limpando escamas, penas e cozinharem depois de matarem, mas não fixei a ideia de crueldade, crime, revolta. Uma vez na mesma fazenda, eu estava em uma casa e tinha outra casa a 100 metros de distância, tinha um homem batendo em cavalo do tipo jumento ou burro que estava preso em um poste, o espancamento durou horas, ele usava um pau e esse pau se quebrava, falei para minha genitora para ir lá salvar o jumento e ela não se preocupou e disse para eu ficar quieta, dessa vez fiquei nervosa, paralisada, atordoada. Outra vez nessa fazenda o homem mutilou o olho de um cachorrinho no quintal em frente do quarto que eu estava, pedi para minha genitora para salvá-lo, não quis salvá-lo, comecei a me mover para ir salvá-lo e não tive coragem. Depois tive que ir nessa casa diversas vezes, ver o cachorrinho com o olho machucado, me doía, depois não vi mais o cachorro, sendo que eu sempre examinava bem os locais por onde eu passava para olhar os animais, e foi estranho que esse e outros cães e gatos desapareciam.
Chorava sim, mas não frente dos outros, apagava da memória para não chorar, sofrer, nunca fiz lamentações para alguém presencialmente, pois, eram todos psicopatas, não salvei os bichos por medo, preferi focar em outras ideias, poderia ser chamada de estúpida e covarde, mas não sou assim.
Eu era religiosa até final adolescência, pois, me forçaram no começo, era hobby para mim, era um costume da sociedade e no final tentei encontrar amigos para me ajudarem. A primeira força motriz para eu voltar a ser ateia aos 21 anos, foram os animais. Eu tinha 19, 20 e 21 anos, na igreja que eu frequentava desprezavam os bichos, no confessionário falei para um padre que meu objetivo é ajudar bichos, ele criticou “pode ajudar, mas não ajudar mais bichos que pessoas, conheço uma mulher que investe muito dinheiro nos cachorros, isso Deus não gosta”, sai e jurei nunca mais falar com ele, falei para outro padre que me incomodava os bichos nos matadouros e o padre disse “eu como coelho todo dia, carne de coelho é uma delícia, humm”, fiquei com nojo do rosto dele fazendo expressão de prazer, fiquei traumatizada, depois dessa nunca mais entrei em uma igreja. Rezava, orava fervorosamente pelos bichos, incluindo os bois, etc., nos matadouros, e os bichos continuavam sofrendo, cheguei à conclusão de que se Deus, Jesus e Maria não atenderam meu pedido é porque não existem, li toda a Bíblia e percebi que eram mitologias, incoerências fábulas, analisei e descobri que me ludibriaram, o homem inventou Deus, agora tenho um vasto documento de registro das maldades das religiões e tenho muito medo dos crentes.
Não me ensinaram a amar, me treinaram a ser maldosa, mas eu não fazia a maioria das coisas que as pessoas fazem, as pessoas não sentiam o que eu sentia, as pessoas falavam besteiras e eu ficava calada, eu queria ficar quieta em casa e me forçava a ficar fora de minha casa, queria receber amor e não conhecia alguém amável, eu queria liberdade e obedecia ao governo e sociedade, queria que parassem de maltratar animais não humano e nunca vi alguém com o mesmo objetivo, queria morar com família, nunca tive família, tive que tentar morar sozinha e fazer tudo sozinha desde os 16 anos de idade, queria e quero amigo, mas nunca tive, queria não ser violentada, enfim, boa parte das ideias que tenho hoje já tinha desde a infância.
Eu percebi que eu não tinha nenhuma qualidade, não tinha defeito, nasci perfeita, mas precisava ter mais atitudes positivas e menos erros. Para ter qualidade preciso praticar a qualidade a maior parte do tempo, comecei a ter qualidades depois dos 22 anos de idade por decisão própria, ninguém me incentivou, tudo que eu sempre fui, a partir dos 22 anos eu comecei a desenvolver positivamente.
Eu não tinha exata noção sobre dor e doença, sobre amor, e até hoje ainda aprendo coisas novas todos os dias, demora tanto tempo, pois, eu me auto-eduquei, nunca tive um professor, eu adoraria ter uma mãe como eu, desde o começo já tinha problemas em casa, já tinha que tentar independência desde jovem, pois, meus genitores me renegaram, sempre tive problemas para resolver, isso atrapalhou meu raciocínio, e também não tinha tanto ódio e desconfiança da sociedade como tenho hoje, agora a minha revolta é enorme, penso em vingança o tempo todo, estou com método de defesa mais apurado e não tenho necessidade de entrar em contato com pessoas por esmolas, com pouco contato humano sobra bastante tempo para estudar. Quando eu era maltratada não sentia tanta dor, tristeza, revolta, ódio como sinto hoje, eu era um pouco tolerante mas não gostava das pessoas, apenas não ficava muito nervosa, triste, nesse sentido, a minha perspectiva sobre maldade era relativa e subjetiva, tal como a dor eu acreditei ser possível que a carne na minha panela não teve uma origem de dor biológica, como se aqueles animais fossem tolerantes a dor por alta resistência mental, eles não tinha direito a vida, não tinham direito a vontade própria, eram comida, não parei para refletir sobre o tema se eles tinham ou não sentimentos, me falavam que não tinha sentimentos e que precisamos comer carne, apenas não analisei, confrontei, só acatei as ordens.
Foram 22 anos parece absurdo comer carne por muito tempo, é impressionante para mim e quem me conhece agora me ver totalmente revoltada e que adora porcos, bois, peixes e galos e ter cometido esse crime por tanto tempo, mas eu não sabia que sentiam dor, no momento que descobri que sentiam dor parei de comer carne, e tem muitos erros que cometi que demorou muito tempo para eu perceber que era erro, de todos os erros só fiz maldade com os bichos.
Me fizeram pescar peixe, pegar nas mãos peixes, vi ele sendo asfixiado, mas não sabia que o que era asfixia, não sabia que peixe morria, pensei que peixe sem vida passava por um processo diferente do processo da morte, como se fossem objetos.
Psicopatas cometiam crimes contra bichos, me maltratavam e me faziam cometer um crime grave. É crime forçar uma criança a cometer crime, é crime dar carne para criança comer, pois, não tem cérebro desenvolvido para gerir todas as suas atitudes e tem total dependência material.
Eu me arrependo, é imperdoável, não quero ser punida, mereço ser punida, lamento muito, nada do que eu faça poderá reverter o fato de eu ter assassinado, não posso fazer uma mágica e fazer com que os animais que ingeri sejam felizes, não posso voltar no passado e corrigir o erro a partir dos 08 anos de idade, nessa idade eu poderia ter parado de comer carne, mas realmente não sabia que existia essa alternativa e não sabia que estava magoando animais inocentes, perfeitos e que me ajudam.
Depois que deixei de comer carne, infelizmente não foi amor completo, pois, não decidi parar de ingerir leite e ovo. Sabia que algumas pessoas não ingeria leite e ovo, não pesquisei profundamente sobre o assunto, quando lembrava de vaca e galinha tinha a ideia superficial de que não era doloroso para elas botar ovo e ao extraírem leite. Em 2015 parei de comer bolos, tortas, pães, bombom, chocolate em barra, pois, passei a ter intolerância a lactose. Em alguns momentos comi ovo de galinha que vive solta e mais umas 5 vezes até 2018 ovo de galinha engaiolada. Em 2016 descobri que a galinha fica engaiolada e com luz no rosto permanentemente, isso me fazia sofrer. Em 2018 parei de comer ovo, pois, meu sistema digestivo não tolerava. Em janeiro de 2023 descobri que vaca tem seu leite extraído durante o dia todo, logo após o parto, isso causa doenças, é estuprada logo após parto para gerar outra prole, isso causa doenças, a tratam como máquina de leite, matam o bezerro, enfim, passei a sofrer pela dor da vaca e bezerro. Pensei que davam folga, não faziam ela sentir dor, deixavam o bezerro tomar leite, convivia com bois e assim tinham prole, recebiam hormônio para ter lactação e isso não gerava doença. Pensei que os bois que as pessoas comem conviviam com vacas, e as vacas não eram assassinadas justamente porque eram reservadas para tirarem leite. Eu achava crime desde 2017 venderem muitos produtos com leite e comer esses produtos desnecessariamente, eu tinha intolerância a quase todos alimentos e não decidi trocar de sobremesa com açúcar que no meu caso era leite condensado sem lactose, pois, procurando na época não encontrei algum substituto com açúcar que é vital para mim e não sentia remorso por ingerir leite. Em fevereiro de 2023 estou com intolerância a quase todos (em torno de 99,99%) os alimentos, decidi parar de comer leite condensado sem lactose por ser leite cheio de toxinas, por ter alto preço, por vaca e bezerro sentirem muita dor, e por ter um substituto que provavelmente meu intestino tolera, então estou testando um alimento que eu tolere e com preço baixo.
Dias depois pesquisei no extinto fórum ou chat “Yahoo! Respostas” sobre consumo de carne de tatu, tartaruga e outras espécies, pois estava revoltada com isso e sei que eu nunca cometeria esse crime, pensei nunca ter cometido contra animais não humano. Vi no “Yahoo! Respostas” (o qual me cadastrei no ano seguinte e fiz cyber-ativismo por muitos anos) uma resposta a uma questão sobre comer carne exótica, a resposta era tipo assim “hipocrisia de quem se diz ser defensor de animais, boi, porco também sente dor”. Foi o bastante, descobri que podemos viver sem carne e estava sendo hipócrita e sendo perfeccionista teria que mudar isso o mais rápido possível, programei para dia 01/07/2007, que chegaria em alguns dias, deixar de comer carne junto com outras medidas para emagrecer, pois estava 15 quilos acima do peso, comecei a engordar uns 16 meses antes.
Faltavam alguns dias para eu começar a dieta, tomar inibidor de apetite sibutramina e fazer caminhada, estava comprando no mercado vários produtos e fui ao açougue, vi frango e reconheci bichos, sendo que antes eu não conectei frango = animal senciente, já decidi que seria a última vez que comprei, disse “não, não comprarei mais”. Quando cortava, chorava muito, pois vi óvulos, cabeça, coração, falei “não, não sou assassina”, larguei a faca e limpei o local e minha mão de sangue pela última vez. Tinha pedaços de frangos congelados no meu congelador, falei “vou comer isso para não desperdiçar”.
Estava com a consciência dominada pelo que a sociedade me impôs por 22 anos, era automático, ainda não abandonei a ideia errada.
Reparei na grande quantidade de propagandas de carne na tv e pessoas em programas, novelas falando e comendo carne, refleti e descobri que o governo impõe o consumo de carne, eu me reconheci como criminosa e via criminosos cometendo crime na tv, eu não queria ver crimes contra bichos na tv, a minha revolta e ódio pelo governo aumentou muito, a injustiça é muito grande, a sociedade apoia a violência, eu sou contra violência com inocentes, fui manipulada por uma sociedade hipócrita, chorei muito por tudo isso, quando comi carne nos últimos dias chorava por existir uma sociedade muito violenta com os bichos. Já não apoiava governo e suas maldades desde os 19 anos de idade, foi fácil descobrir que um dos culpados por eu cometer esse crime era o governo.
Tinha pedaços já prontos de frango, já cozidos, já comia só um pedacinho por vez há alguns dias, falei “vou comer um pedacinho desse que está pronto para não desperdiçar”.
Chorava ao comer em minha panela (me alimento direto da panela, não em prato), havia pedaço de frango misturado com arroz, feijão na minha panela, mas estava chorando pelos motivos anteriores que citei e por esse bicho que amo ter sofrido antes de estar na minha panela, era automático comer até aquele dia, mas nesse último dia eu percebi que não só eu cometi crime ao comprar frango, mas naquele instante que comer mais frango ainda estarei cometendo crime, não tenho controle sobre os outros, mas tenho controle sobre minhas atitudes, eu mudei de ideia sobre parar de comer daqui uns dias, não tinha nexo deixar para amanhã o que posso fazer hoje e também os últimos pedaços que comi chorei por aqueles motivos que citei e também porque eu me sentia machucando e matando bichos que amo, e por fim no último instante descobri que carne não é comestível, não consegui engolir carne, não consegui mastigar, eu chorava, não desce pelo esôfago, não é de minha natureza comer carne, tinha sim uns 2 pedaços na minha panela que automaticamente eu colocaria na boca conforme me obrigaram a fazer no passado, mas agora tenho ideia própria, personalidade própria, vontade própria, decisão própria e tenho absoluta certeza que carne não é comestível e é crime, eu disse “não, não vou comer mais nenhum pedacinho de bicho, pois me fazia sofrer muito”, terminei arroz e feijão e não comi os últimos pedacinhos.
Por amor-próprio ou autoamor decidi e realmente nunca mais comi carne. Dei o que já estava pronto e cozido para meu cachorro, joguei fora o que estava congelado e quando passo pelo açougue no mercado que faço compras me sinto muito mal, mas me sinto bem por ser vegetariana.
No dia seguinte que decidi parar de comer carne senti uma liberdade imensa, uma felicidade imensa, que nunca havia sentido e nunca mais senti, uma emoção positiva enorme.
Depois de uns meses voltei a sofrer, pois é muita gente à minha volta comendo carne, então, mãos à obra. A única forma de eu sofrer menos, chorar menos, é fazendo ativismo.
Queria ser veterinária e cientista desde a infância, analiso tudo à minha volta e o que leio, da infância até a morte, tenho prazer em obter conhecimento e repassar meu conhecimento. O que mais faço de útil na vida é cuidar da natureza. Ser útil é maravilhoso.
Eu não tinha exata noção sobre dor e doença, sobre amor, e até hoje ainda aprendo coisas novas todos os dias, demora tanto tempo, pois, eu me auto-eduquei, nunca tive um professor, eu adoraria ter uma mãe como eu, desde o começo já tinha problemas em casa, já tinha que tentar independência desde jovem, pois, meus genitores me renegaram, sempre tive problemas para resolver, isso atrapalhou meu raciocínio, e também não tinha tanto ódio e desconfiança da sociedade como tenho hoje, agora a minha revolta é enorme, penso em vingança o tempo todo, estou com método de defesa mais apurado e não tenho necessidade de entrar em contato com pessoas por esmolas, com pouco contato humano sobra bastante tempo para estudar. Quando eu era maltratada não sentia tanta dor, tristeza, revolta, ódio como sinto hoje, eu era um pouco tolerante mas não gostava das pessoas, apenas não ficava muito nervosa, triste, nesse sentido, a minha perspectiva sobre maldade era relativa e subjetiva, tal como a dor eu acreditei ser possível que a carne na minha panela não teve uma origem de dor biológica, como se aqueles animais fossem tolerantes a dor por alta resistência mental, eles não tinha direito a vida, não tinham direito a vontade própria, eram comida, não parei para refletir sobre o tema se eles tinham ou não sentimentos, me falavam que não tinha sentimentos e que precisamos comer carne, apenas não analisei, confrontei, só acatei as ordens.
Foram 22 anos parece absurdo comer carne por muito tempo, é impressionante para mim e quem me conhece agora me ver totalmente revoltada e que adora porcos, bois, peixes e galos e ter cometido esse crime por tanto tempo, mas eu não sabia que sentiam dor, no momento que descobri que sentiam dor parei de comer carne, e tem muitos erros que cometi que demorou muito tempo para eu perceber que era erro, de todos os erros só fiz maldade com os bichos.
Me fizeram pescar peixe, pegar nas mãos peixes, vi ele sendo asfixiado, mas não sabia que o que era asfixia, não sabia que peixe morria, pensei que peixe sem vida passava por um processo diferente do processo da morte, como se fossem objetos.
Psicopatas cometiam crimes contra bichos, me maltratavam e me faziam cometer um crime grave. É crime forçar uma criança a cometer crime, é crime dar carne para criança comer, pois, não tem cérebro desenvolvido para gerir todas as suas atitudes e tem total dependência material.
Eu me arrependo, é imperdoável, não quero ser punida, mereço ser punida, lamento muito, nada do que eu faça poderá reverter o fato de eu ter assassinado, não posso fazer uma mágica e fazer com que os animais que ingeri sejam felizes, não posso voltar no passado e corrigir o erro a partir dos 08 anos de idade, nessa idade eu poderia ter parado de comer carne, mas realmente não sabia que existia essa alternativa e não sabia que estava magoando animais inocentes, perfeitos e que me ajudam.
Depois que deixei de comer carne, infelizmente não foi amor completo, pois, não decidi parar de ingerir leite e ovo. Sabia que algumas pessoas não ingeria leite e ovo, não pesquisei profundamente sobre o assunto, quando lembrava de vaca e galinha tinha a ideia superficial de que não era doloroso para elas botar ovo e ao extraírem leite. Em 2015 parei de comer bolos, tortas, pães, bombom, chocolate em barra, pois, passei a ter intolerância a lactose. Em alguns momentos comi ovo de galinha que vive solta e mais umas 5 vezes até 2018 ovo de galinha engaiolada. Em 2016 descobri que a galinha fica engaiolada e com luz no rosto permanentemente, isso me fazia sofrer. Em 2018 parei de comer ovo, pois, meu sistema digestivo não tolerava. Em janeiro de 2023 descobri que vaca tem seu leite extraído durante o dia todo, logo após o parto, isso causa doenças, é estuprada logo após parto para gerar outra prole, isso causa doenças, a tratam como máquina de leite, matam o bezerro, enfim, passei a sofrer pela dor da vaca e bezerro. Pensei que davam folga, não faziam ela sentir dor, deixavam o bezerro tomar leite, convivia com bois e assim tinham prole, recebiam hormônio para ter lactação e isso não gerava doença. Pensei que os bois que as pessoas comem conviviam com vacas, e as vacas não eram assassinadas justamente porque eram reservadas para tirarem leite. Eu achava crime desde 2017 venderem muitos produtos com leite e comer esses produtos desnecessariamente, eu tinha intolerância a quase todos alimentos e não decidi trocar de sobremesa com açúcar que no meu caso era leite condensado sem lactose, pois, procurando na época não encontrei algum substituto com açúcar que é vital para mim e não sentia remorso por ingerir leite. Em fevereiro de 2023 estou com intolerância a quase todos (em torno de 99,99%) os alimentos, decidi parar de comer leite condensado sem lactose por ser leite cheio de toxinas, por ter alto preço, por vaca e bezerro sentirem muita dor, e por ter um substituto que provavelmente meu intestino tolera, então estou testando um alimento que eu tolere e com preço baixo.
Excetuando boi, peixe, porco, galo, todo sofrimento de animais perto de mim ou longe não tive culpa e poderia ser corrigido com bens materiais, ou seja, cães e gatos sobre minha tutela sofreram e não consegui ajudar por falta de recursos materiais.
Com relação ao amor, fui ficando mais amorosa com o passar do tempo, amorosa comigo mesma, com os bichos e com pessoas boas, fui doutrinada a fazer maldade, portanto demorou certo tempo para eu conseguir amar verdadeiramente, mesmo sendo violentada a cada momento, ou seja, estou recebendo violência o tempo todo, amadureci minha afetividade com quem gosto, e é lastimável não conhecer alguém bom e que me ajude e ainda tenho esperança de ser salva.
Em 2007, ainda sem acesso à internet, estava sem garantia de futuro, medo do futuro sem recursos materiais para viver e pensei que iria morrer em breve, resolvi acessar internet para tentar ver boas ações de salvamento de bichos, para antes de morrer ajudar os bichos. Vi de novo vídeos de abate e outros vídeos de maus-tratos e textos sobre maus-tratos aos animais na internet, pois sempre me considerei defensora de animais (como expliquei antes, o carinho existia, mas não era amor completo e saudável e não abrangia bois, porcos, galos, peixes) e encontrei um site que tinha um trecho que falava sobre vegetarianismo - pessoas que não comem carne - antes eu pensei que ser vegetariano era quem come somente folhas - alguns poucos depoimentos. Dias depois pesquisei no extinto fórum ou chat “Yahoo! Respostas” sobre consumo de carne de tatu, tartaruga e outras espécies, pois estava revoltada com isso e sei que eu nunca cometeria esse crime, pensei nunca ter cometido contra animais não humano. Vi no “Yahoo! Respostas” (o qual me cadastrei no ano seguinte e fiz cyber-ativismo por muitos anos) uma resposta a uma questão sobre comer carne exótica, a resposta era tipo assim “hipocrisia de quem se diz ser defensor de animais, boi, porco também sente dor”. Foi o bastante, descobri que podemos viver sem carne e estava sendo hipócrita e sendo perfeccionista teria que mudar isso o mais rápido possível, programei para dia 01/07/2007, que chegaria em alguns dias, deixar de comer carne junto com outras medidas para emagrecer, pois estava 15 quilos acima do peso, comecei a engordar uns 16 meses antes.
Faltavam alguns dias para eu começar a dieta, tomar inibidor de apetite sibutramina e fazer caminhada, estava comprando no mercado vários produtos e fui ao açougue, vi frango e reconheci bichos, sendo que antes eu não conectei frango = animal senciente, já decidi que seria a última vez que comprei, disse “não, não comprarei mais”. Quando cortava, chorava muito, pois vi óvulos, cabeça, coração, falei “não, não sou assassina”, larguei a faca e limpei o local e minha mão de sangue pela última vez. Tinha pedaços de frangos congelados no meu congelador, falei “vou comer isso para não desperdiçar”.
Estava com a consciência dominada pelo que a sociedade me impôs por 22 anos, era automático, ainda não abandonei a ideia errada.
Reparei na grande quantidade de propagandas de carne na tv e pessoas em programas, novelas falando e comendo carne, refleti e descobri que o governo impõe o consumo de carne, eu me reconheci como criminosa e via criminosos cometendo crime na tv, eu não queria ver crimes contra bichos na tv, a minha revolta e ódio pelo governo aumentou muito, a injustiça é muito grande, a sociedade apoia a violência, eu sou contra violência com inocentes, fui manipulada por uma sociedade hipócrita, chorei muito por tudo isso, quando comi carne nos últimos dias chorava por existir uma sociedade muito violenta com os bichos. Já não apoiava governo e suas maldades desde os 19 anos de idade, foi fácil descobrir que um dos culpados por eu cometer esse crime era o governo.
Tinha pedaços já prontos de frango, já cozidos, já comia só um pedacinho por vez há alguns dias, falei “vou comer um pedacinho desse que está pronto para não desperdiçar”.
Chorava ao comer em minha panela (me alimento direto da panela, não em prato), havia pedaço de frango misturado com arroz, feijão na minha panela, mas estava chorando pelos motivos anteriores que citei e por esse bicho que amo ter sofrido antes de estar na minha panela, era automático comer até aquele dia, mas nesse último dia eu percebi que não só eu cometi crime ao comprar frango, mas naquele instante que comer mais frango ainda estarei cometendo crime, não tenho controle sobre os outros, mas tenho controle sobre minhas atitudes, eu mudei de ideia sobre parar de comer daqui uns dias, não tinha nexo deixar para amanhã o que posso fazer hoje e também os últimos pedaços que comi chorei por aqueles motivos que citei e também porque eu me sentia machucando e matando bichos que amo, e por fim no último instante descobri que carne não é comestível, não consegui engolir carne, não consegui mastigar, eu chorava, não desce pelo esôfago, não é de minha natureza comer carne, tinha sim uns 2 pedaços na minha panela que automaticamente eu colocaria na boca conforme me obrigaram a fazer no passado, mas agora tenho ideia própria, personalidade própria, vontade própria, decisão própria e tenho absoluta certeza que carne não é comestível e é crime, eu disse “não, não vou comer mais nenhum pedacinho de bicho, pois me fazia sofrer muito”, terminei arroz e feijão e não comi os últimos pedacinhos.
Por amor-próprio ou autoamor decidi e realmente nunca mais comi carne. Dei o que já estava pronto e cozido para meu cachorro, joguei fora o que estava congelado e quando passo pelo açougue no mercado que faço compras me sinto muito mal, mas me sinto bem por ser vegetariana.
No dia seguinte que decidi parar de comer carne senti uma liberdade imensa, uma felicidade imensa, que nunca havia sentido e nunca mais senti, uma emoção positiva enorme.
Depois de uns meses voltei a sofrer, pois é muita gente à minha volta comendo carne, então, mãos à obra. A única forma de eu sofrer menos, chorar menos, é fazendo ativismo.
Queria ser veterinária e cientista desde a infância, analiso tudo à minha volta e o que leio, da infância até a morte, tenho prazer em obter conhecimento e repassar meu conhecimento. O que mais faço de útil na vida é cuidar da natureza. Ser útil é maravilhoso.
Agradeço a atenção, tchau!